Velhice e ancestralidade

entre o abandono e a resistência

  • Messias Nogueira Freitas Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro https://orcid.org/0009-0000-7469-6467
  • Isabel Leite Cafezeiro Instituto de Ciência e Tecnologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro https://orcid.org/0000-0002-4445-5774
Palavras-chave: Velhice. Ancestralidade. Cultura Afro Brasileira. Políticas Públicas. Resistência.

Resumo

A pluralidade de práticas e conhecimentos na cultura afro-brasileira, que garante dignidade e qualidade de vida aos velhos mestres, suscita reflexões sobre a situação da terceira idade na sociedade brasileira, marcada pelo abandono social e pela ausência de políticas públicas estruturantes. O contraste entre esse abandono e a valorização dos mestres na cultura afro-brasileira revela caminhos alternativos e mais humanos de pensar a velhice, reconhecendo nela um lugar de sabedoria e continuidade histórica. Nas rodas e manifestações culturais, os jovens adeptos demonstram profundo cuidado com os mestres idosos, mas esse cuidado, embora fundamental, não supre suas necessidades básicas, como saúde, moradia e seguridade social, tornando indispensável a intervenção do Estado. Essa pesquisa, ancorada em minhas próprias experiências formativas em rodas, encontros e eventos de cultura preta em dezenas de cidades brasileiras, busca evidenciar o contraste entre esses paradigmas. Serão mobilizados registros literários, letras de músicas, artigos acadêmicos e falas de mestres em especial Índio Maranhão e Toni Vargas, além de referências críticas de pensadores da cultura preta, que contribuem para desestabilizar narrativas hegemônicas e apontar caminhos de resistência e valorização da velhice enquanto ancestralidade viva.

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Biografia do Autor

Messias Nogueira Freitas, Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia.

Isabel Leite Cafezeiro, Instituto de Ciência e Tecnologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Programa de Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Possui graduação em Ciência da Computação pela Universidade Federal Fluminense (1992), mestrado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1994), doutorado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000) e pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da UFRJ. É Professora Titular do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense, professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, da UFRJ. Atuou na área de Ciência da Computação, com ênfase em Lógicas e Semântica de Programas, focando principalmente nos seguintes temas: linguagens de programação e especificação formal de sistemas. Atua na área de Sistemas de Informação focando principalmente nos seguintes temas: Computação e Sociedade e Abordagens Sociotécnicas em Sistemas de Informação. Atua na área de Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia, focando principalmente a História da Computabilidade e investigações sobre o trabalho acadêmico. 

Referências

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Publicado
2026-01-19
Como Citar
Nogueira Freitas, M., & Cafezeiro, I. L. (2026). Velhice e ancestralidade. Revista Scientiarum Historia, 1(1), e509. https://doi.org/10.51919/revista_sh.v1i1.509
Seção
Historicidade de Saberes Tecnocientíficos